Tom na Fazenda

TEATRO

Di Caamaño

9/25/20173 min read

Esse final de semana assisti a peça Tom na Fazenda. Amigo meu me intimou a assistir (beijo Luc), então lá fomos nós. Na penúltima semana em cartaz, fui praticamente virada pós Rock in Rio, e uma puta preocupação de cochilar durante a peça que não cabia em mim. Tomei um cappuccino e fui pra minha cadeira. Mas a peça em si me sustentou, que eu nem piscava direito.

No palco, atores “andavam” pelo espaço quase vazio enquanto o público se acomodava. Eles levavam baldes, tinha sacos de terra em cima de uma lona disposta pelo palco. No ambiente uma música parecida com salsa estava alto – fazia parte da peça afinal. No terceiro sinal, o som foi baixando e então entra Tom. Ele descreve o cenário da tal casa.

Vestido como um cara moderno da cidade, ele contrasta com uma senhora que entra em cena vestida com roupas simples e uma bota. Ela se apresenta, Agatha. Estava em luto. Para Tom, o namorado; para Agatha, o filho. E entre eles dois, não existia nenhuma proximidade da relação, afinal ela nunca tinha ouvido falar dele e nem que o filho era gay.

Ele então se deixa levar pelo convite carinhoso de Agatha para ficar mais um pouco e comer um peixe na manteiga, e se hospeda na fazenda; o que seria o inicio de uma relação de dependência. É surpreendido por Francis, que ao contrario da mãe, sabia quem ele era e o “aguardava”. Ele o força a alimentar a história da namorada Helen – que não fala uma palavra em português, e é colega de trabalho na agência – e ele então tenta sustentar tudo o que guarda no coração sobre seus sentimentos na despedida do homem que ama (essa cena acaba comigo só de lembrar!).

A história se torna um thriller de uma relação que me causa muitas dúvidas. Francis procura sempre que pode atormentar Tom; ao mesmo que parece que surge um relacionamento advindo da carência de Francis por pessoas, e do Tom do namorado falecido. Fica implícito no momento que Tom fala da semelhança entre eles e do perfume que Francia está usando, e ele então parece sucumbir a isso de maneira “carinhosa”. Era como se eles se permitissem, mediante uma briga, ao prazer mais carnal…

A história tem um final que te surpreende. Te instiga a pensar nas risadas que escapavam ao longo do espetáculo quando o texto tendia a ser cômico; quando no fim, tudo acaba num blackout, e tudo o que foi falado ganha um tom pesado. Símbolos.

Ao final, os atores sentam a beira do palco.
Babaioff levanta uma placa escrito “
AMAR SEM TEMER“.
Vamos a loucura entre aplausos e sons de aprovação.

Saí da peça num estado que só sabia fazer uma coisa: chorar. Digeri a mensagem com uma dor no peito, e mais lágrimas… Eu precisava falar, eu precisava pedir desculpas por achar que compreendia o que alguém sentia ao precisar se esconder, esconder quem ama e seu jeito; e no fim, compactuar, mesmo que indiretamente, com atitudes escrotas. Eu tive um estalo. E mesmo sendo uma pessoa que entra numa briga para defender uma causa, jamais vou saber como é estar ali.

A peça trouxe mais uma reflexão para a minha vida como pessoa, que eu preciso estar em constante mudança. E como atriz, de que o teatro é isso, te toca e te desperta para a vida em 110 minutos de um cenário real em “modo fictício”.

Tom na Fazenda fica em cartaz até o dia 30/09.
Av. Graça Aranha, 1 – Teatro Sesi | Centro – Rio de Janeiro, RJ
Preço: R$ 40,00 / R$ 20,00 (meia e lista amiga)
Quinta e sexta-feira, às 19h30, e no sábado, às 19h.
Dirigida por Rodrigo Portella
Elenco Kelzy Ecard, Camila Nhary, Gustavo Vaz, Armando Babaioff.

“Ninguém vai poder querer nos dizer como amar”