Fora da Caixa
TEATRO
7/21/20172 min read


Hoje é dia de falarmos de teatro, e a peça da semana é FORA DA CAIXA. Ainda não defini se gostei, se me trouxe respostas, se me deixou mais confusa ainda, se preciso assistir de novo… enfim, só sei que se ela causou esses estranhamentos na minha mente, pra mim isso é sinal de que tem mensagem e ela foi recebida com sucesso! Digerindo…
É aquela fórmula conhecida do mundo das artes: trazer relacionamentos para ser pauta; mas aqui estamos falando sobre algo que é tratado de maneira bem banal por uma galera considerável, o poliamor. Quando conversei a primeira vez sobre isso, há uns 4 anos atrás com um amigo, eu achei que ele queria era putaria, porém.. ok, não é isso, e eu já entendi!
Na história vemos Rebecca e Thiago, um casal que está passando por uns atritos no relacionamento, e com a chegada do Ricardo, resolvem absorver a ideia de trisal ou seja, permite viver um amor à três. Aquela fase de adaptar a vida, o cara indo morar com eles, a casa, e o que representa ter “três pessoas na cama” (nem é sexualizando, é uma analogia mesmo).
Tudo parece caminhar bem, até que a Rebecca morre. A morte dela trás para os personagens o peso da incompreensão, e pra nós, público, questionamentos. Eu me senti afetada. A partir daí, eles precisam entender o que são agora e se reinventar com a ausência dela, tendo que lidar com isso inclusive.
Ali, é discutido a monogamia como vemos hoje em dia e o que muda quando se assume a ideia de um trisal. Para quem não sabe, no Brasil, a poligamia é crime com pena máxima de 3 anos (para quem compartilha o cônjuge) a 6 anos (para quem tem vários cônjuges). Mas e quando você se doutrina a viver um relacionamento monogamia porque é imposto pela sociedade e pelas leis? Será que o mundo compreendeu o que é viver?
Quando eu sai da peça, fiquei uns dias pilhada com tantos choques que a mente pode ter. Quem nunca se culpou por sentir a espinha arrepiar por alguém? São as consequências dessas doutrinas normativas de que amor é só pra dois, “que não cabem três vidas inteiras, e tampouco uma penteadeira”. Já se questionou sobre isso?
Eu indico a peça para você, que gostaria de abrir a sua mente através de uma história contata sob holofotes e personagens. Para caso você que nunca tenha pensado que a música do Bokaloka “Duas paixões”, pode em algum momento, deixar de fazer sentido e passar a ser problematizada, afinal, quem pode mandar no coração? Se permitir ser chocado com o que as pessoas podem sentir na pele por quererem viver seu amor, sem julgamentos, seja com quem (ou “quens”) quiser.
Além da história central, temos algumas historietas servindo de interlúdio, algumas apenas chatas (que eu até achei meio over), porém tem uma que me arrancou algumas lágrimas (a cena do casamento, alou!!). Vá, mas vá de coração aberto e disposto a ver coisas com os olhos e com o coração e sair de lá, direto para estudos sobre poliamor, relacionamento aberto, trisal e afins.
Quem assistiu, contai!
Maddie Maratona
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