A Pediatra: peça com Débora Lamm transforma afeto, obsessão e maternidade em uma provocação
TEATRO
Di Caamaño
8/10/20262 min read


O que uma médica precisa ter para ser uma pediatra? Para quem assiste Grey’s Anatomy, certamente tem a imagem alegre e contagiante da Arizona e seus sapatos de rodinha, percorrendo os corredores do Sloan Grey Hospital. Mas na prática, talvez a profissão não seja tão coberta de momentos felizes assim.
É dessa forma que somos apresentados à Cecília. Médica pediatra que declaradamente não gosta de crianças, mas faz a profissão por uma conveniência. Filha de médico endocrinologista-pediatra dono de um andar inteiro que cede uma sala para a filha ter ser consultório. Ela segue a cartilha que aprendeu na faculdade, sem se envolver com a relação que se acredita que uma pediatra teria com a criança, daquela que sente instintos quase maternos ao tratar de uma criança desde a fase de recém-nascido.
Da vida profissional somos levados ao lado pessoal dela, ao sermos apresentados ao seu amante Celso. Se conheceram na festa de uma amiga em comum que é cardiologista que possui uma sala no mesmo prédio comercial que Cecília. Apesar de, no primeiro momento, Cecília achar que ele reclamava de tudo, isso não impediu que começassem um relacionamento extraconjugal. Celso, que se torna pai de Bruninho, lida com imprevistos na chegada do segundo filho, que veio prematuramente. Com isso, ele recorre ao apoio de Cecília para cuidar de Bruninho. Lembra que ela já declarou que não gosta de crianças? Pois é, ela cria laços de afeto que beira uma obsessão.
A peça nos leva a recortes do que o livro apresenta de forma mais completa, mas que termina do mesmo jeito abrupto quanto às ações (impensadas?) de Cecília. Aqui ficamos entre achar as falas dela um pouco absurdas ou humanas - talvez honestas? - demais para quem decidiu trabalhar com medicina.
A Pediatra é uma adaptação do livro homônimo da autora Andréa Del Fuego, lançado em 2021. Estreou em março de 2026 em São Paulo. Encerrou sua temporada no Rio no Festival do Rio de Teatro, com casa cheia nesta noite de domingo. Agora, parte para São Paulo. E o que eu deixo para vocês é: assistam! Vale a pena ver Débora Lamm e Luis Antônio Fortes, com adaptação e direção de Inez Viana.
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