10 dias que abalaram o mundo

TEATRO

Di Caamaño

10/16/20172 min read

Estreou no último sábado, 14/10, o espetáculo “10 dias que abalaram o mundo” da Cia Ensaio Aberto. O evento veio causando interesse desde muitos meses atrás, usando o espaço não apenas para trazer interesse pela peça, mas informando os interessados sobre o conteúdo. Praticamente um aulão sobre Revolução no seu Facebook; e eles continuam inserindo informações por lá, vale muito a pena acompanhar.

A peça já se inova por não ter cadeiras para a platéia sentar, o imenso galpão tem luz baixa, som agressivo e o elenco espalhado entre o público. Um homem surge no palanque, avisa sobre como será a dinâmica da peça, pede para prestarmos atenção no grande cenário que é deslocável, que seremos parte daquilo. E fomos!

Um grande elenco composto por homens e mulheres, armados, com roupas em tons frios e botas. Pessoas enfaixadas em cadeira de rodas também transitavam entre nós. Um telão mostrava imagens de famílias russas, do Czar, de pessoas machucadas pela guerra… era forte, um homem de voz forte narrava. Você tava ali, vivendo aquilo de alguma forma.

O elenco estava entrosado, comprometido, visceral naquela experiência que eu mais fazia parte do que apenas ver. Eu andava de um lado para o outro. Do nada, alguém passava armado por trás de mim, gritando palavras de ordem e se unia ao resto do elenco. Era como se eu estivesse nas ruas russas, mas que todo mundo falava português. Foram três horas em pé, andando de um lado pro outro. Os olhos atentos a cada novo aprendizado sobre a história geral.

Eles eram sincronizados até na marcha, iam de um lado pro outro. Finalizaram a peça cantando o Hino Socialista, que foi entoado por todos daquele galpão. Foi uma cena linda pra cacete, me arrepio só de lembrar! Ao final, formaram um paredão. Eu não me contive e fui abraçando todos do elenco, agradecendo por aquele momento que foi mais que uma peça, foi uma experiência!

O que dizer do Ensaio Aberto? Que eu admiro demais o trabalho deles, que torço para que sejam reconhecidos culturalmente. A peça infelizmente será reduzida, por falta de patrocínio, mas quem tiver oportunidade, apenas veja!